eu queria ser intelectual…
Sim, às vezes eu queria escrever textos coerentes, deixar as amenidades de lado. Escrever coisas sem sentido que só meus possíveis amigos artistas iriam entender. Ser descrente com um ar blasé. Falar do meu tempo punk. Só ter disco de blues. Ir pro Fenart. Pensar em e como Nietzsche. Beber chá com prazer. Comentar sobre Kafka. Ter discussões acaloradas sobre o capitalismo e as pressões sociais. Acreditar na legalização da maconha. Ter no mínimo 3 amigos fotógrafos, 2 artistas plásticos, 3 atores, 4 sociólogos, 1 filósofo, 2 cientistas políticos, 7 músicos, 1 grafiteiro, 3 produtores musicais, 1 cineasta. Só ter bolsa de tecido. Comer soja. Não tomar coca-cola por ser contra o imperialismo americano. Saber o que é o imperialismo americano. Comprar bijouteria nos hippies. Usar blusa regata branca sem sutiã. Não usar condicionador. Namorar com amigos. Só assitir os filmes do Godard. Ler Jean Paul Sartre. Gostar de Jean Paul Sartre. Queria tudo isso. Ao menos iria me sentir parte de alguma coisa menos ridícula e superficial. Teria uma função na sociedade. (Pausa Dramática) Pensando bem, isso é muito rídiculo. Melhor ser fútil e não ter obrigações sociais, a não ser as das colunas sociais. Serei ao menos intelectualóide.