when I was young…
E isso não faz muito tempo, as pessoas da minha idade e da minha cidade estavam concentradas em forró, chiclete com banana e calça da zoomp. Enquanto isso, eu queria ser grunge. E ouvia isso:
e isso
e isso
.
É claro que participei das sandices mundanas e campinenses, afinal eu era adolescente e como tal queria me enturmar, não podia vestir uma camisa de flanela e sair por aí. Mas apesar disto, não vendi minha alma ao diabo. Só que cresci pensando diferente dos outros, presa num mundo tacanho: sabendo o que é bom mas sem acesso (net meu bem, só na cabeça do Bill Gates, tv a cabo hahaha, revista? só veja). A mtv era a salvação, não era bobagenta como hoje que só tem reality show pra americano ver, era o alívio dos adolescentes vítimas das micaretas como eu.
Moral da história: Cresci oprimida mas sobrevivi, inclusive ao tchau do kurt, à overdose de dorflex do Layne Staley e aos discos ruins do Vedder (só alguns). Viu, meus hérois morreram de overdose e meus inimigos estão no poder.
todo mundo já teve um dia ruim…
Mas uma premiére ruim, você já ouviu falar? Melhor explicar. Existe muita gente em Roliúde que ganha rios de dinheiro e ainda consegue sair de casa com o pior dos piores modelitos num dia badaladíssimo como o de uma estréia. Christian Pior que o diga.
Fazendo meu tour relaxante pelos sites de bobagens que adoro, passei no da Us Magazine ( just celebrities baby: com enquetes, ante-depois, achados e perdidos…) e este slide-show me chamou a atenção: can you believe they wore that?.
Eram modelitos h-o-r-r-o-r-o-s-o-s dos stars nos tapetes vermelhos da vida. Alguns hoje são até ícone fashion, mas mesmo eles não resistiram à breguice geral do anos 90 (a maioria das fotos era desse período). Ou você era vip e chique nos anos 90? Duvido. Mesmo que você não se ligue no mundinho argh-fashion-celebrity dá uma olhadinha lá, vale boas risadas.
música boa para almas boas…
…ou ainda bem que existe a net. Nas minhas andanças internéticas achei um ótimo lugar para descobrir música bacana. Quando a minha cota de música e gente decadente está além dos índices recomendados pelo ministério da saúde e pela OMS, corro para lá e viajo por mares nunca dantes navegados, e isso me faz tão bem. Volto a me sentir exclusiva e menos ultrapassada, musical e mentalmente. E quem é o responsável por isso? o blog Trip Hop X.

Todos os dias enquanto eu escrevo estas amenidades bestas e irrelevantes, pessoas de ótimo gosto musical disponibilizam sons fantásticos. Pra quem gosta de Portishead como eu, vai ficar fissurado e colocar nos favoritos. Eu agarantio. Só é preciso paciência com o bendito rapidshare. Mas as possibilidades abertas com estas trilhas valem qualquer demora.
minha turma…
Nossa vida é feita de turmas. A do trabalho, a da faculdade, a do inglês, a da academia (argh!), e tantas outras que perdemos com o passar do tempo e também com a nossa evolução cultural, afinal se os amigos não evoluem junto com você, vai ser mais difícil acompanhar o passo. E assim muitas turmas vão se dissolvendo com o tempo. Hoje estou quase sem turma, das muitas que tive, a do trabalho se solidificou muito nos últimos tempos, principalmente com a chegada de uma frente feminina de salvação.
Tirando o tempo do meu ex-escritório, basicamente só trabalhei com homens. É claro que é mais fácil, sem competição acirrada e com direito à entrada franca no universo masculino. Mas sentia muita falta da companhia de amiguinhas.
Desde o começo da minha vida profissional trabalhei com Amaro (figura-mor da arquitetura paraibana, grande cara, gentilíssimo, chatíssimo e muito cri-cri, ele é meu guru, meu mestre e principalmente meu amigo) e Jonas (já falei dele lembra? é o gestor de pessoas, consultor para assuntos masculinos). Aprendi muito, briguei muito e mudei muita coisa. Hoje juntaram-se à equipe: Dr. Guilherme (a figura, ensinou a maior parte dos engenheiros deste estado e mesmo assim é humilde como poucos estagiários, gosto dele de graça ); Mariana (estagiária em vias de arquiteta, made in Pernambuco, acredita que Deus é de Recife, mas isso não a impede de ser muito legal); Rafaela (recém-arquiteta, recém-mestranda, é de Areia e é braba feito um siri na lata, mas é muito prestativa e inteligente), e por último Ana Cecília (já falei dela também, é a dos joguinhos, e responsável pela asssessoria desenhística industrial e pelas doses cavalares de bom humor).
Pois bem, essa é a minha turma, somos o sub-diplur (nome do nosso setor), somos sub porque as pessoas não gostam de se misturar conosco, acho que assustamos o povo. Ou porque inteligência combinada ao sarcasmo hoje em dia seja crime. hihiiihiihii.

A gente com desenho by Cecília. Quem nos conhece sabe que ficou show. hihii
quando eu vou tomar vergonha na cara…
E tirar minha carteira de motorista? E emagrecer? E aprender a andar de bicicleta? E parar de beber? E deixar de ser fútil? E terminar meu mestrado? E deixar de ser consumista? E estudar pra concurso? E economizar? E não pensar em besteira? E parar de cortar? E ser uma pessoa melhor? Nunca!
até o shopping me deprime…
Hoje fui ao Shopping ver algumas coisas que precisava para minha mais nova empreitada (sim eu quero dominar o mundo, não ainda estou muito longe) e me deparei com muitas tentações, coleção de inverno pra cá, botitas lindas pra lá, casacos maravilhosos que nunca vamos usar no “frio” do Nordeste e mais toda a fashionzice possível e constante nos últimos editoriais da ELLE. Mas meu bem, ser rico além de atitude é ter money. E eu não tenho. Pra sobreviver até tenho, mas pra luxar, haha, never chuchu.
E por isso vaguei tristemente pelos corredores frios, indo de loja de departamento em loja de departamento. C&A, Riachuelo, Marisa, Renner (lá é foda, muuuuuuuuuuuuuito caro pra ser departamento, nem olhar posso). Eca, fiquei horrorizada com muita coisa over e pior: cara. Mas o mais triste foi ver que só estas lojas baixarias me acolheriam, tanto pela grana quanto pelo tamanho, afinal alguém já viu rico gordo? Só o Faustão.
Ainda tentei recorrer às grifetes. Parei na New Order e quase chorei, não não tenho grana (a vendedora entendeu porque me olhou com desdém, e eu tenho 3º grau completo e aposto que ela não tem, snif). Osklen, haha, no comments. Corpodarte, nem vendendo meu cachorro (que nem é meu). Arezzo no fim das contas parecia até barato. Ou o mundo está ganhando muito ou eu é que fiquei pra trás. HIHI duplo.
Lição no final de tudo: Deus sabe o que faz. 1º me fez gordita pra entender que não posso ter tudo na vida; 2º me fez diferente e gg para que eu não caísse em tentação e comprasse tudo que passasse pela minha frente, porque Ele sabe que eu iria comprar; 3º mandou editar revistas de moda baratinhas pra eu ver que existe saída; 4º colocou gente interessante no meu caminho para me mostrar outros pontos de vista; e por último, me fez muito sagaz pra só ligar às vezes pra essas coisas de gordice, pobreza e shopping, porque me diz se não é muito melhor ser diferente do que um arremedo de Barbie que só pensa em emagrecer, comprar e ter o cabelo liso e louro? Meu bem, de pasteurizado já basta leite e cultura, a cara também? Tem dó.
Viu como uma simples ida no shopping pode ser uma sessão de análise disfarçada, quanta coisa aprendi. Acho que vou amanhã fazer um cartão Renner e comprar uns modelitos. hihihi.

a propósito…
Ser chubrega não é crime. Eu também sou chubrega às vezes e sou super chique. hihihiihihihihi.
abraçando o mundo…
ou eu não sei dizer não. Simplesmente eu não consigo dizer não às pessoas, quando alguém me aparece com uma idéia, eu acredito, dou força, quando vejo já sou sócia. E agora tudo que me perguntam eu faço. Mestrado? Eu faço. Projeto? Eu faço. Ambientação? Eu faço. Logotipo? Eu faço. Pesquisa? Eu faço. Animação de festa infantil? Eu faço. Editorial de moda? Eu faço. Artigo? Eu faço. Pode me pedir que desenrolo.
ser chubrega é…
É algo nojento. Algo que todo mundo ainda acha lindo, mas que é de muito mau-gosto, seja pelo cafona ou pelo ridículo mesmo. Não tem nada a ver com brega, por que ser brega hoje é muito cult. Nem pense que ser chubrega é algo como misturar estampas, escutar música tipo Giliard, tipo Falcão. Chubrega é:
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Festa de casamento tradicional, cheia de padrinhos, vestido tipo bolo, com convite tamanho cartolina com letra dourada.
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achar que só pode se casar assim;
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roupa de grife feia mas que está na moda;
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meia na mão por causa do frio;
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toalha com nome bordado;
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carnaval do Rio;
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visual tudo combinando (blusa+sombra+sapato+bolsa+brinco);
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dar ou receber comida na boca (quando você não tem mais 5 anos);
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fôrro de gesso cheio de curvas;
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casa de recepções;
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certas jóias;
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sófa de pobre;
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toda ex-BBB metida à gostosa;
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qualquer pagode;
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Roupa Nova (o grupo, não o modelito);
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arquitetura campinense (made in campina grande);
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“especialista” falando em tendência como se fosse a coisa mais importante do mundo (vale pra tudo: moda, relação, comida, comportamento);
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a dupla cintura baixa + blusa curta.

Tem muito mais, depois me lembro.
à sombra do mestre…
Sempre procurei estar na companhia de pessoas interessantes. Bons amigos, bons colegas, bons parceiros de bar, bons mestres, bons gurus. Porque desde cedo percebi que a sabedoria é passada como gripe, mas sem precisar espirrar. O único perigo de viver assim é quando você mais absorve do que semeia idéias. Às vezes me pergunto se é melhor ser co-autor de uma coisa fantástica ou autor de algo mediano, mas que você pensou e descobriu sozinho. São crises de uma arquiteta que já deveria ter pensado mais, projetado mais, construído mais, tido mais clientes e mais mestres-de-obras.

